Mergulho neste meu mundo e tento reconfortar-me, sim, reconfortar-me a mim própria. Vou em busca do melhor que a vida tem para me oferecer, do que generosamente me concedeu, procuro acarinhar o bom e desprezar o mau, procuro alguma calma, enfim.
Plenitude é algo que aprendi que só se tem por momentos, há que ter é plena plenitude de espírito. É difícil esta aprendizagem, custa desconsiderar o desprezível, n é fácil rejeitar o que nos magoa, dói ver que a vida não foi assim tão generosa connosco...sofre-se com esta aprendizagem. Sofre-se sobretudo com a efemeridade do bom e com a intensidade do mau. Os momentos de felicidade são suaves, delicados, são envoltos em doces porções de algodão que graciosamente nos acariciam, que nos deleitam, os maus momentos mazelam, podem ter até precisamente a mesma importância que os bons, mas deixam marcas que de tão febris não se esquecem.
Ninguém disse que era fácil. Mas por certo será mais fácil se apreciarmos as dádivas e desprestigiarmos o que deve ser insignificante.
É por esta imperfectibilidade que busco, esta grandeza de pensamento, esta postura majestosa, é o que nos conduz à solenidade e o que permite o mais feliz dos caminhos. Auto-controlo é a grande etapa a conseguir, serenidade é a melhor das virtudes.
Monday, July 24, 2006
Sumptuosidade
Friday, July 14, 2006
Adeus
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! Era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! e eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor..., já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
Gente.
Há gente estupidamente estupida. Gente mesquinha, gente maldosa, gente sem coração, e outra gente ainda, desprovida de cérebro.
Apetece-me apertar essa gente, esbofetia-los a todos, chama-los à razão. Por vezes apetece-me até trama-los, tal como mo fizeram um dia. Mas depois lembro-me que estaria a ser como eles, depois lembro-me como me deixaria corromper, e aí seria somente mais uma nesta esfera flutuante cheia de gentinha.
Não sei que gozo dá levar a vida dessa forma, encará-la como um desafio em que tem sempre de haver um perdedor, um jogo de gato e rato. Fazer da vida uma teia de aranha em que as presas ficam sem saida naqueles fios pegajosos, viscosos, que as enrodilham, que gostinho especial poderá dar?
Há dias que não dão vontade sequer de sair da cama...lá fora espreita mais um obstáculo qq que podia perfeitamente ser evitado não fosse esta gente...
A inveja move o mundo.