Saturday, October 10, 2009
DIAS SEM NOME
Ontem,
Em silêncio,
Derramei poemas
No mar do teu corpo.
Desertos de palavras.
Florestas de sentimentos.
Com a bênção dos poetas imortais.
Hoje,
Em silêncio,
Esculpo pedras
Bravas.
Fragas que em mim crescem
Em vertigens no ar.
Emergem do verbo Amar
Sem amarras
Às coisas que não querem falar mais.
Não posso querer,
Querer mais,
Que venhas beber tais poemas.
A fantasia a crepitar.
Asas de fogo,
Às quais eu rogo
Que invadam meus desertos
Com florestas tropicais.
Cada gesto
Em ti
Trazia outro jardim.
Talvez perdido.
Mas imenso.
Soprava outro incenso.
Outro poema.
Senti,
Em momentos tais,
Não seres capaz
De seres caminho
Nos meus versos.
Nos versos teus.
Ao teres de te cumprir,
O veleiro dos teus dedos
Embalava outro lugar.
Poema ausente.
Estátua de sal.
Esculpida com medos.
Navegavas perdido mar.
Despida de mim.
Cada gesto,
Em mim,
Trazia um devaneio.
O último.
O último poema.
Imerso de chegada.
Poema onde me semeio,
Sempre emerso de partida.
Mar de vagas
Sem sossego agarram
Castelos para os derrubar.
Nas mãos vazias ficam
Pródigas chagas.
Areia de imagens magras.
Mendigas.
Esfomeada
Do verbo Amar.
No teu olhar
Enchi
O cálice de Luz.
Lua flutuante.
Bebi
Com a esplendorosa calma
A Paz que se procura.
Bebi querendo.
Sem querer beber
Pelo mesmo cálice.
Apenas quis encher o teu.
Diferente e igual ao meu.
Apenas quis pendurar Constelações,
Muitas Estrelas,
Doces canções.
Nebulosas belas
No Céu.
A um Lugar
Feito silêncio,
Daquele donde parti,
Traçado a negro carvão,
Que sem descanso perdura,
Que sem encanto flutua
Cheguei.
Rio Largo da Solidão.
Deixo-me ir.
Como água escorrendo
Por entre dedos.
Por entre vales.
Refaço
Mais negro
O Traço.
À imensidão do espaço
Me entrego,
Me desfaço.
No Céu d’ Aurora
Deixo o meu rastro.
Ana A N Cardoso Simões
Saudade
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás, é
o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar
pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...
Pablo Neruda
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás, é
o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar
pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...
Pablo Neruda
Friday, October 09, 2009
Tuesday, October 06, 2009
Ingratidão
Nem sempre olhamos a vida pelo lado certo.
Lastimamo-nos, arrastamo-nos, não vemos o que de bom Ela nos põem bem em frente ao nosso nariz. Ao invés, deixamo-nos acorrentar pelos sortilégios que fazem parte de qualquer estória, sem nos apercebermos que eles fazem parte de todas elas. Só conta a dor que aperta.
Nunca valorizamos a coisa certa na hora certa.
Quantas vezes não fui valorizada e quantas vezes desprestigiei? Quantas vezes chorei por isso sem olhar em meu redor e apreciar tudo o que de bom tenho? Chorei em vão. A vida muitas vezes é ingrata, mas nós também.
Há males que vêm por bem.
Enquanto derramamos lágrimas ingratas, insanos ignoramos que da razão das lágrimas poderá sobrevir uma outra razão maior. Enquanto perdemos o pouco tempo que temos com essas tristezas, desdenhamos de todas as razões maiores que já são nossas.
A vida faz justiça de formas estranhas.
Hoje sou eu quem chora, amanha serás tu. Por cada pessoa que derrubares a vida encarregar-se-á de te derrubar a ti. Com a mesma indelicadeza, ou com outra diferente.
A justiça tarda, mas chega.
Lastimamo-nos, arrastamo-nos, não vemos o que de bom Ela nos põem bem em frente ao nosso nariz. Ao invés, deixamo-nos acorrentar pelos sortilégios que fazem parte de qualquer estória, sem nos apercebermos que eles fazem parte de todas elas. Só conta a dor que aperta.
Nunca valorizamos a coisa certa na hora certa.
Quantas vezes não fui valorizada e quantas vezes desprestigiei? Quantas vezes chorei por isso sem olhar em meu redor e apreciar tudo o que de bom tenho? Chorei em vão. A vida muitas vezes é ingrata, mas nós também.
Há males que vêm por bem.
Enquanto derramamos lágrimas ingratas, insanos ignoramos que da razão das lágrimas poderá sobrevir uma outra razão maior. Enquanto perdemos o pouco tempo que temos com essas tristezas, desdenhamos de todas as razões maiores que já são nossas.
A vida faz justiça de formas estranhas.
Hoje sou eu quem chora, amanha serás tu. Por cada pessoa que derrubares a vida encarregar-se-á de te derrubar a ti. Com a mesma indelicadeza, ou com outra diferente.
A justiça tarda, mas chega.
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