Cansei os braços
a pendurar estrelas no céu.
Destino dos fados lassos.
Tudo termina em cansaços
braços
e estrelas
e eu.
A vida flui (parece) como um novelo que se desenrola,
como um leque silencioso que se abre,
enquanto, no ovo, um rumor se encaracola,
se encaracola e desencaracola,
até quando, num repente,
se dispara incandescente,
como na dança do sabre.
Ó delírio de sentir,
doença de interrogar,
febre do nunca atingir!
Temperatura de partir
na esteira do insaciar.
Rescendem húmus as ancas,
terras morenas e brancas,
campo do jogo androceu.
Afrouxam os braços lassos.
Tudo termina em cansaços,
terras
e braços
e eu.
Estrelas, pântanos, abismos,
patamares da mesma escada,
dedos da mesma aliança.
Tudo morre em tédio e em nada.
Tudo maça.
Tudo enfada.
Tudo pesa.
Tudo cansa.
António Gedeão.
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