Thursday, February 25, 2010

Felicidade antepassada

Abri a janela para um vale verdejante, no esplendor da sua juventude, era Primavera! Lá em baixo, bem lá no fundo, o Douro cortejava esses vales onde vinhas bem tratadas cresciam.
No meu palacete, em mármore e pedra mal cortada, típica do local,um amplo adro preenchia toda a casa onde apenas o piano suficientemente o decorava, e, diga-se, majestosamente. Por entre as cortinas adivinhava-se o rasgo de Sol que nos enchia a alma. Dali crescia uma escadaria central que se ramificava em duas direcções.
A avó Francisca fazia com que um cheirinho matinal a café maternalmente nos acolhesse a todos. A avó Marquinhas e a avó São costuravam, na berma da escadaria no alpendre de fora, com vista sobre o vale do Douro, onde viam todos passar, como tanto gostavam. Ali estava a sua felicidade. O avô João e o avô Herculano trabalhavam nas vinhas, como típico, e como era o típico que lhes trazia a felicidade. As crianças jogavam a bola, felizes, depois das aulas, chegadas do seu autocarro escolar.
A felicidade,em pequenas coisas, onde todos a encontravam.
A felicidade das imagens onde nunca mais A encontrei.

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