Wednesday, January 03, 2007
Hoje....
Não há ninguém que não tenha momentos mais criticáveis, mas também não há ninguém que evolua com esses momentos. Incrivelmente, ninguém falha na hora de lançar o olhar recriminatório, de apontar o dedo, de julgar pisando, custe isso o que custar.
Hoje sei que não vale a pena querer acreditar, há coisas impossíveis de mudar, como o rio que corre, inevitavelmente, para o mar, ou como o Sol de Agosto que nos deixa e traz a chuva de folhas de Outubro...e os pingos grossos que jorram do céu cinzento de Dezembro...Ninguém molda o carácter humano, ninguém ensina o certo ou o errado. A essência de cada um é o que é.
Vou andando, por aí, por essas estradas incertas que me levam a certeza de que esperar por mudança...é sempre em vão.
Nos dias de céu cinzento sei que, pelo menos, tenho-me a mim.
Não tentes fazer de mim o prego ferrugento que une a perna ao resto do corpo da cadeira, um pedaço de ser sem rumo que necessita da tua misericórdia, um pecado que necessita do teu perdão.
Hoje sei que não vou por aí...
Monday, November 13, 2006
Missing you ragazza

Acordo para mais um dia, olheiras, cansaço, desequilíbrio, tudo para trás. Corro, tenho 5minutos. Aulas, intervalos agitados a distribuir minutos de atenção contados, trabalhos intermináveis e dores de cabeça...No fim do ciclo, antes de recomeçar mais um, costumava ter-te para meu consolo. Costumava ter-te nos momentos de fraqueza a erguer-me, na farra a tua presença era infalível e distinta, sempre. Sinto falta do teu sorriso, da tua meiguice, do teu jeito infantil que faz rir o mais sisudo dos humanos, dessa tua pureza que faz de ti a pessoa maravilhosa que és. Sempre achei que cada amigo tem o seu lugar e hoje mais que nunca comprovo-o, sinto a TUA falta, o teu lugar permanece intacto e só teu. Será teu, eternamente. Guardo com carinho as memórias das coisas só nossas, choro quando vejo vezes sem fim o teu filme. Volta rápido.
Tuesday, October 24, 2006
Eternamente
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
MST in "Não te deixarei morrer David Crockett"
Friday, October 13, 2006
Do outro lado do espelho
Hoje não estás mais aqui, por incrível que pareça custa bem mais do que julgava não acordarmos todos os dias sobre o mesmo tecto, não poder entreabrir a porta do teu quarto só para te sorrir, não poder discutir ctg, não poder partilhar daqueles momentos do dia-a-dia que só quem tem o que outrora tivemos partilha. Nunca ponderei bem a discrepância entre o perceptível e o que está para lá da barreira do visível, nem nunca me pareceu a tua ausência tão sofrível. É um corroer impiedoso este do desfazer de laços. Aprendi a suportar este dessangre e a disfarçá-lo, mas não sei como pará-lo. Fazes-me falta.
Dói não ter um esconderijo forte, uma casca dura, aquela protecção, a coesão. Entranham-se estes viveres viciados, consomem-me estas ausências e farsas, e a cada dia se torna mais árduo viver. Seguro a cabeça, disperso-me em tentativas de reconstruir o meu eixo, esboço um sorriso...sinto-me vazia...
Tuesday, October 10, 2006
O que resta
Silêncio que mói, este de te manter na penumbra, esconder-te do dia e amordaçar-te num segredo. Mas da eterna dúvida de te definir como um cacto ou como um templo grego, resta-me a sombra.
Silêncio que corrói, que me deixa zonza.
Silêncio de ti.
Vem, diz-me que te honrarás.
Revela-te e eu revelar-me-ei,
ou para sempre no silêncio ficarás.
Monday, October 09, 2006
Do lado do Silêncio
Gosto de acordar de manhã, quando, ainda antes do despertador tocar, oiço o som do canal Panda na sala, e fico a saber que tu já acordaste e que sengues à risca o ritual estabelecido, e que a seguir irás fazer o teu pequeno-almoço e vestires-te para a escola. Mas, apesar disso, gosto de te recomendar que faças tudo isso e não te esqueças de lavar os dentes, sabendo que não te esqueces mas também gostas de ouvir-me dizer-to, porque essa é uma forma de saberes que te «guardo».
Saímos de casa deixando para trás o desalinho do teu quarto, a desarrumação vivida das tuas coisas, esses sinais indesmentíveis da tua presença, sem os quais a casa não faz sentido e o silêncio pesa como dor escondida. És sempre tu quem carrega no botão do elevador, quem acende as luzes da garagem, numa atenção emergente para a rotina das coisas, que é a forma como vais entrando na manhã. E segues um silêncio atento no banco de trás do carro, que interrompes às vezes com alguma pergunta que te ocorre de repente. Vais chegada para a frente, uma mão pousada nas costas do meu banco, como se quisesses prolongar os últimos instantes de proximidade física. (...)
Porque há sempre uma porta que se fecha e que nos separa, ao contrário da casa, onde a porta do teu quarto e a do meu estão sempre abertas.
(A ti...)
Miguel Sousa Tavares
Sunday, October 08, 2006
Um pouco de ti.
Sunday, October 01, 2006
Dança como se ninguém estivesse a ver-te
Saturday, September 30, 2006
Ruínas
Castelos, um a um, deixa-os cair...
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!
E deixa sobre as ruínas crescer heras.
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!
Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais altos do que as águias pelo ar!
Sonhos que tombam!Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!...Deixa-os tombar...deixa-os tombar...
Florbela Espanca
Wish you were here
Monday, August 14, 2006
Wonderwall
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now
Backbeat the word was on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody feels
The way I do about you now
And all the roads we have to walk along are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would
Like to say to you
I don't know how
Because maybe
You're gonna be the one who saves me ?
And after all
You're my wonderwall
Today was gonna be the day?
But they'll never throw it back to you B
y now you should've somehow
Realized what you're not to do
I don't believe that anybody
Feels the way I do
About you now
And all the roads that lead to you were winding
And all the lights that light the way are blinding
There are many things that I would like to say to you
I don't know how
I said maybe
You're gonna be the one who saves me ?
And after all
You're my wonderwall
Oasis
Eu mesma
Quero ter o Sol, a Lua, só para mim,
Quero percorrer o mundo, ir de Norte a Sul sem me cansar,
Quero estar presente para todos os que me provam amor,
Quero ser melhor para todos eles,
Quero não ter este mau feitio que os magoa,
Quero planear mil e uma coisas,
Quero pô-las em prática a todas,
Quero não perder a pureza que tenho e melhorar a calma que não tenho,
Quero não cometer falhas,
Quero conseguir tudo o que quero,
Quero ser perfeita.
Monday, July 24, 2006
Sumptuosidade
Mergulho neste meu mundo e tento reconfortar-me, sim, reconfortar-me a mim própria. Vou em busca do melhor que a vida tem para me oferecer, do que generosamente me concedeu, procuro acarinhar o bom e desprezar o mau, procuro alguma calma, enfim.
Plenitude é algo que aprendi que só se tem por momentos, há que ter é plena plenitude de espírito. É difícil esta aprendizagem, custa desconsiderar o desprezível, n é fácil rejeitar o que nos magoa, dói ver que a vida não foi assim tão generosa connosco...sofre-se com esta aprendizagem. Sofre-se sobretudo com a efemeridade do bom e com a intensidade do mau. Os momentos de felicidade são suaves, delicados, são envoltos em doces porções de algodão que graciosamente nos acariciam, que nos deleitam, os maus momentos mazelam, podem ter até precisamente a mesma importância que os bons, mas deixam marcas que de tão febris não se esquecem.
Ninguém disse que era fácil. Mas por certo será mais fácil se apreciarmos as dádivas e desprestigiarmos o que deve ser insignificante.
É por esta imperfectibilidade que busco, esta grandeza de pensamento, esta postura majestosa, é o que nos conduz à solenidade e o que permite o mais feliz dos caminhos. Auto-controlo é a grande etapa a conseguir, serenidade é a melhor das virtudes.
Friday, July 14, 2006
Adeus
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! Era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! e eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor..., já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
Gente.
Há gente estupidamente estupida. Gente mesquinha, gente maldosa, gente sem coração, e outra gente ainda, desprovida de cérebro.
Apetece-me apertar essa gente, esbofetia-los a todos, chama-los à razão. Por vezes apetece-me até trama-los, tal como mo fizeram um dia. Mas depois lembro-me que estaria a ser como eles, depois lembro-me como me deixaria corromper, e aí seria somente mais uma nesta esfera flutuante cheia de gentinha.
Não sei que gozo dá levar a vida dessa forma, encará-la como um desafio em que tem sempre de haver um perdedor, um jogo de gato e rato. Fazer da vida uma teia de aranha em que as presas ficam sem saida naqueles fios pegajosos, viscosos, que as enrodilham, que gostinho especial poderá dar?
Há dias que não dão vontade sequer de sair da cama...lá fora espreita mais um obstáculo qq que podia perfeitamente ser evitado não fosse esta gente...
A inveja move o mundo.
Tuesday, May 09, 2006
Tanta Saudade
É, pra matar
Eu fiquei até doente
Eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
Saudade mata a gente
Saudade mata a gente, menina
Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além
Procurei uma saída
O amor não tem
Estava ficando louco
Louco, louco de querer bem
Quis chegar até o limite
De uma paixão
Baldear o oceano
Com a minha mão
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração
Mas voltou a saudade
É, pra ficar
Ai, eu encarei de frente
Ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade
É, deixa estar
Saudade engole a gente
Saudade engole a gente, menina
Ai, amor, miragem minha, minha linha do horizonte, é monte atrás de monte, é monte, a fonte nunca mais que seca
Ai, saudade, inda sou moço, aquele poço não tem fundo, é um mundo e dentro um mundo e dentro um mundo e dentro é um mundo que me leva
Chico Buarque
Sunday, May 07, 2006
Garota de Ipanema
É ela a menina que vem e que passa
Num doce balanço, caminho do mar
Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor
Vinicius de Moraes