Saturday, April 28, 2007

A Vida Perfeita!


Sorrir! Como se todos fossem teus conhecidos.

Estender a mão, como se todos fossem teus irmãos.

És a pureza que falta aos valentes,

Um exemplo de singeleza para todos os insolentes!

Não procuras nada em ninguém,

Porque para ti cada um é maravilhosamente bom.

Não olhas de soslaio,

Porque é sempre bem-vindo quem vem.

A alegria da vida está em nós!

Na intensidade que esse olhar mimoso dá a cada momento,

Na profundidade a que cada um está disposto a chegar,

Na transparência dessa voz!

Se eu pudesse…ver em todos esta simplicidade,

Veria toda a gente bem mais satisfeita.

Com só um pouco mais de alma…

A vida seria perfeita.

Wednesday, April 25, 2007

A Felicidade Exige Valentia

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Fernando Pessoa

Sunday, February 04, 2007

Forever young

let's dance in style
let's dance for a while
heaven can wait we're only watching the sky
hoping for the best but expecting the worst
are you gonna drop the bomb or not
let us die young or let us live forever
dont have the power but we never say never
sitting in the sandpit
life is a short trip
music's for the sad man
can you imagine when this race is run
turn our golden faces into the sun
praisin our leaders, getting in tune
the music's played by the mad men
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
some like water and some are like the heat,
some are melodies, some are the beat,
sooner or later they'll all be gone,
why don't they stay out
it's hard to get on without a cause,
i don't want to perish like a fading voice,
youth is like diamonds in the sun,
diamonds are forever
so many adventures couldn't happen today
so many songs we forgot to play
so many dreams swinging out of the blue
left to come true
forever young, i want to be forever young,
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever...

Wednesday, January 03, 2007

Hoje....

Vou andando, por aí, por avenidas, becos, palacetes e ruelas...Tudo me parece estranhamente cinzento e sem brio. Emigrou o Sol e a Beleza, fugiu a alfazema e o rosmaninho que graciosamente davam o doce aroma que coloria as rápidas horas...Na cinza das horas fico eu. Apoquenta-me a velocidade atroz da vida e chateia-me a incoerência entre a efemeridade do tempo e a imutabilidade do rancor, da crueldade e de toda a estupidez humana. Deprime-me esta falta de graça.
Não há ninguém que não tenha momentos mais criticáveis, mas também não há ninguém que evolua com esses momentos. Incrivelmente, ninguém falha na hora de lançar o olhar recriminatório, de apontar o dedo, de julgar pisando, custe isso o que custar.
Hoje sei que não vale a pena querer acreditar, há coisas impossíveis de mudar, como o rio que corre, inevitavelmente, para o mar, ou como o Sol de Agosto que nos deixa e traz a chuva de folhas de Outubro...e os pingos grossos que jorram do céu cinzento de Dezembro...Ninguém molda o carácter humano, ninguém ensina o certo ou o errado. A essência de cada um é o que é.
Vou andando, por aí, por essas estradas incertas que me levam a certeza de que esperar por mudança...é sempre em vão.
Nos dias de céu cinzento sei que, pelo menos, tenho-me a mim.
Não tentes fazer de mim o prego ferrugento que une a perna ao resto do corpo da cadeira, um pedaço de ser sem rumo que necessita da tua misericórdia, um pecado que necessita do teu perdão.
Hoje sei que não vou por aí...

Monday, November 13, 2006

Missing you ragazza


Acordo para mais um dia, olheiras, cansaço, desequilíbrio, tudo para trás. Corro, tenho 5minutos. Aulas, intervalos agitados a distribuir minutos de atenção contados, trabalhos intermináveis e dores de cabeça...No fim do ciclo, antes de recomeçar mais um, costumava ter-te para meu consolo. Costumava ter-te nos momentos de fraqueza a erguer-me, na farra a tua presença era infalível e distinta, sempre. Sinto falta do teu sorriso, da tua meiguice, do teu jeito infantil que faz rir o mais sisudo dos humanos, dessa tua pureza que faz de ti a pessoa maravilhosa que és. Sempre achei que cada amigo tem o seu lugar e hoje mais que nunca comprovo-o, sinto a TUA falta, o teu lugar permanece intacto e só teu. Será teu, eternamente. Guardo com carinho as memórias das coisas só nossas, choro quando vejo vezes sem fim o teu filme. Volta rápido.

Tuesday, October 24, 2006

Eternamente

"Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos;acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

MST in "Não te deixarei morrer David Crockett"

Friday, October 13, 2006

Do outro lado do espelho

São caminhos, encruzilhadas, bons fados, maus destinos. São vidas. É colar de cacos, quebrar de expectativas. É esperança que a redoma me proteja da hipocrisia, desespero quando se parte e me deixa para lá do suportável. Perco-me e encontro-me nesta constante mentira sem nunca oscilar aos olhos de quem passa e me vê todo o dia em alegria. Soa a fácil, mera representação: cheira a dor. Dói o ar que se respira, o conter de lágrimas, a apatia....Dói este desconcerto de vida.
Hoje não estás mais aqui, por incrível que pareça custa bem mais do que julgava não acordarmos todos os dias sobre o mesmo tecto, não poder entreabrir a porta do teu quarto só para te sorrir, não poder discutir ctg, não poder partilhar daqueles momentos do dia-a-dia que só quem tem o que outrora tivemos partilha. Nunca ponderei bem a discrepância entre o perceptível e o que está para lá da barreira do visível, nem nunca me pareceu a tua ausência tão sofrível. É um corroer impiedoso este do desfazer de laços. Aprendi a suportar este dessangre e a disfarçá-lo, mas não sei como pará-lo. Fazes-me falta.
Dói não ter um esconderijo forte, uma casca dura, aquela protecção, a coesão. Entranham-se estes viveres viciados, consomem-me estas ausências e farsas, e a cada dia se torna mais árduo viver. Seguro a cabeça, disperso-me em tentativas de reconstruir o meu eixo, esboço um sorriso...sinto-me vazia...

Tuesday, October 10, 2006

O que resta

Silêncio que mata e que dói, este de te guardar em mim, de te encafuar nas memórias que outrora foram doces com aroma a jasmim.
Silêncio que mói, este de te manter na penumbra, esconder-te do dia e amordaçar-te num segredo. Mas da eterna dúvida de te definir como um cacto ou como um templo grego, resta-me a sombra.
Silêncio que corrói, que me deixa zonza.
Silêncio de ti.
Vem, diz-me que te honrarás.
Revela-te e eu revelar-me-ei,
ou para sempre no silêncio ficarás.

Monday, October 09, 2006

Do lado do Silêncio

Gosto de espreitar o teu sono de criança, à noite, quando dormes alheia a tudo, e eu fico a ouvir a tua respiração e a alisar os teus cabelos.Às vezes, chego a pensar que é um desperdício ir dormir, em lugar de ficar ver-te dormir, porque o tempo voa e em breve já não serás criança. Nestas noites, como diz a lei, tenho-te à minha «guarda», o que é um prazer insubstituível e a que alguns chamam direitos e outros deveres.
Gosto de acordar de manhã, quando, ainda antes do despertador tocar, oiço o som do canal Panda na sala, e fico a saber que tu já acordaste e que sengues à risca o ritual estabelecido, e que a seguir irás fazer o teu pequeno-almoço e vestires-te para a escola. Mas, apesar disso, gosto de te recomendar que faças tudo isso e não te esqueças de lavar os dentes, sabendo que não te esqueces mas também gostas de ouvir-me dizer-to, porque essa é uma forma de saberes que te «guardo».
Saímos de casa deixando para trás o desalinho do teu quarto, a desarrumação vivida das tuas coisas, esses sinais indesmentíveis da tua presença, sem os quais a casa não faz sentido e o silêncio pesa como dor escondida. És sempre tu quem carrega no botão do elevador, quem acende as luzes da garagem, numa atenção emergente para a rotina das coisas, que é a forma como vais entrando na manhã. E segues um silêncio atento no banco de trás do carro, que interrompes às vezes com alguma pergunta que te ocorre de repente. Vais chegada para a frente, uma mão pousada nas costas do meu banco, como se quisesses prolongar os últimos instantes de proximidade física. (...)
Porque há sempre uma porta que se fecha e que nos separa, ao contrário da casa, onde a porta do teu quarto e a do meu estão sempre abertas.

(A ti...)

Miguel Sousa Tavares

Sunday, October 08, 2006

Um pouco de ti.

......Não sei o que sinto quando te vejo.......
.......se afeição se desejo....
...Sei que prescruto o mais ínfimo gesto....
........no encalço de uma desculpa.....
....talvez por compaixão ou por bondade....
......Sei que insisto em apagar-te a culpa, e, acredita....
.... não em jeito de perdão....
...Mas de todas as vezes, sem excepção, resta-me a perplexidade...
....Perturba-me o teu contrapasso....
....contundes, trituras e seduzes num único passo....
....És calor, quimera, desilusão...
.....és desagradável como o vento que te desgrenha os cabelos...
.......... apaixonante como uma noite quente de Verão...............
.......num só acto és fantasia e decepção........
....Incomodas-me com o teu jeito frio.....
.......Conquistas-me com esse teu desalinho.....
....És um misto de malícia e fraqueza...
....provocas apreço por essa pobreza...
.........Queria consolar-te, dar-te um ombro amigo.......
............ensinar-te a nobreza de um gesto.........
.................é inquietante como nem para isso te remetes à tua insignificância.............
......é nula em ti a profundidade do que quer que seja........
.....és indigesto, tal é essa petulância.......
......Não sei o que sinto quando me beijas.......
........quando te ris, quando me deixas.......
.....quando me trespassas com um olhar......
........quando sem dó me levas ao transtorno do não pensar....
.....Sei o que sou e o que espero, sei o que és e não te quero....
.

Sunday, October 01, 2006

Dança como se ninguém estivesse a ver-te

Não pares. Não pares de tentar, segue a tua luta, prossegue mesmo quando tropeças. Segue. Não pares de te iludir e desiludir, não pares de crer. Dá o tudo por tudo, mas não fiques a meio, parar é desistir, desistir de ti própria. Dá tudo, dá-te, entrega-te sem medos, tu sabes que tens força para te erguer. Continua a andar, a correr, a tropeçar e a cair, aprende a levantar-te. Não desistas de sentir o toque de uma brisa, de uma gargalhada solta ou de um abraço,não desistas de acreditar na felicidade nua. Não desistas de ouvir música, a tua música, de rir, de dançar. E dança. Dança e vive numa dança enlouquecedora, só tua. Não pares de errar e remendar, não pares de questionar, não deixes de sorrir, de pedir ajuda e ajudar, não pares de te construir. Continua a acreditar que a vida é feita destas interrupções, mas que a cada momento terás a chave para a reconstrução. Continua sempre. Não te substimes, vai mais longe. Mais longe do que julgavas ser capaz.

Saturday, September 30, 2006

Ruínas

Se é sempre Outono o rir das primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair...
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!


E deixa sobre as ruínas crescer heras.
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!


Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais altos do que as águias pelo ar!


Sonhos que tombam!Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!...Deixa-os tombar...deixa-os tombar...

Florbela Espanca

Wish you were here

So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground.
What have you found?
The same old fears.
Wish you were here.
Pink Floyd

Monday, August 14, 2006

Wonderwall

Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now

Backbeat the word was on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody feels
The way I do about you now

And all the roads we have to walk along are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would
Like to say to you
I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one who saves me ?
And after all
You're my wonderwall

Today was gonna be the day?
But they'll never throw it back to you B
y now you should've somehow
Realized what you're not to do
I don't believe that anybody
Feels the way I do
About you now

And all the roads that lead to you were winding
And all the lights that light the way are blinding
There are many things that I would like to say to you
I don't know how

I said maybe
You're gonna be the one who saves me ?
And after all
You're my wonderwall


Oasis

Eu mesma

Quero atingir o céu, agarrar as estrelas,
Quero ter o Sol, a Lua, só para mim,
Quero percorrer o mundo, ir de Norte a Sul sem me cansar,
Quero estar presente para todos os que me provam amor,
Quero ser melhor para todos eles,
Quero não ter este mau feitio que os magoa,
Quero planear mil e uma coisas,
Quero pô-las em prática a todas,
Quero não perder a pureza que tenho e melhorar a calma que não tenho,
Quero não cometer falhas,
Quero conseguir tudo o que quero,
Quero ser perfeita.

Monday, July 24, 2006

Sumptuosidade

Mergulho neste meu mundo e tento reconfortar-me, sim, reconfortar-me a mim própria. Vou em busca do melhor que a vida tem para me oferecer, do que generosamente me concedeu, procuro acarinhar o bom e desprezar o mau, procuro alguma calma, enfim.
Plenitude é algo que aprendi que só se tem por momentos, há que ter é plena plenitude de espírito. É difícil esta aprendizagem, custa desconsiderar o desprezível, n é fácil rejeitar o que nos magoa, dói ver que a vida não foi assim tão generosa connosco...sofre-se com esta aprendizagem. Sofre-se sobretudo com a efemeridade do bom e com a intensidade do mau. Os momentos de felicidade são suaves, delicados, são envoltos em doces porções de algodão que graciosamente nos acariciam, que nos deleitam, os maus momentos mazelam, podem ter até precisamente a mesma importância que os bons, mas deixam marcas que de tão febris não se esquecem.
Ninguém disse que era fácil. Mas por certo será mais fácil se apreciarmos as dádivas e desprestigiarmos o que deve ser insignificante.
É por esta imperfectibilidade que busco, esta grandeza de pensamento, esta postura majestosa, é o que nos conduz à solenidade e o que permite o mais feliz dos caminhos. Auto-controlo é a grande etapa a conseguir, serenidade é a melhor das virtudes.

Friday, July 14, 2006

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mão à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! Era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! e eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor..., já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.


Eugénio de Andrade

Gente.

Há gente estupidamente estupida. Gente mesquinha, gente maldosa, gente sem coração, e outra gente ainda, desprovida de cérebro.
Apetece-me apertar essa gente, esbofetia-los a todos, chama-los à razão. Por vezes apetece-me até trama-los, tal como mo fizeram um dia. Mas depois lembro-me que estaria a ser como eles, depois lembro-me como me deixaria corromper, e aí seria somente mais uma nesta esfera flutuante cheia de gentinha.
Não sei que gozo dá levar a vida dessa forma, encará-la como um desafio em que tem sempre de haver um perdedor, um jogo de gato e rato. Fazer da vida uma teia de aranha em que as presas ficam sem saida naqueles fios pegajosos, viscosos, que as enrodilham, que gostinho especial poderá dar?
Há dias que não dão vontade sequer de sair da cama...lá fora espreita mais um obstáculo qq que podia perfeitamente ser evitado não fosse esta gente...
A inveja move o mundo.


Tuesday, May 09, 2006

Tanta Saudade

Era tanta saudade
É, pra matar
Eu fiquei até doente
Eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
Saudade mata a gente
Saudade mata a gente, menina
Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além
Procurei uma saída
O amor não tem
Estava ficando louco
Louco, louco de querer bem
Quis chegar até o limite
De uma paixão
Baldear o oceano
Com a minha mão
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração
Mas voltou a saudade
É, pra ficar
Ai, eu encarei de frente
Ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade
É, deixa estar
Saudade engole a gente
Saudade engole a gente, menina
Ai, amor, miragem minha, minha linha do horizonte, é monte atrás de monte, é monte, a fonte nunca mais que seca
Ai, saudade, inda sou moço, aquele poço não tem fundo, é um mundo e dentro um mundo e dentro um mundo e dentro é um mundo que me leva

Chico Buarque

Sunday, May 07, 2006

Garota de Ipanema

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
É ela a menina que vem e que passa
Num doce balanço, caminho do mar
Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor


Vinicius de Moraes