......Não sei o que sinto quando te vejo.......
.......se afeição se desejo....
...Sei que prescruto o mais ínfimo gesto....
........no encalço de uma desculpa.....
....talvez por compaixão ou por bondade....
......Sei que insisto em apagar-te a culpa, e, acredita....
.... não em jeito de perdão....
...Mas de todas as vezes, sem excepção, resta-me a perplexidade...
....Perturba-me o teu contrapasso....
....contundes, trituras e seduzes num único passo....
....És calor, quimera, desilusão...
.....és desagradável como o vento que te desgrenha os cabelos...
.......... apaixonante como uma noite quente de Verão...............
.......num só acto és fantasia e decepção........
....Incomodas-me com o teu jeito frio.....
.......Conquistas-me com esse teu desalinho.....
....És um misto de malícia e fraqueza...
....provocas apreço por essa pobreza...
.........Queria consolar-te, dar-te um ombro amigo.......
............ensinar-te a nobreza de um gesto.........
.................é inquietante como nem para isso te remetes à tua insignificância.............
......é nula em ti a profundidade do que quer que seja........
.....és indigesto, tal é essa petulância.......
......Não sei o que sinto quando me beijas.......
........quando te ris, quando me deixas.......
.....quando me trespassas com um olhar......
........quando sem dó me levas ao transtorno do não pensar....
.....Sei o que sou e o que espero, sei o que és e não te quero....
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