Wednesday, April 28, 2010



Negra, como eu, maravilhosa, como a cidade que amo e a saudade que trago.

Tuesday, April 27, 2010

«Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.»

SMB

Friday, April 23, 2010

Para ver brevemente

O Tempo que Resta
Les herbes folles
Soul Kitchen
Estomago
Sem nome

Cidadao Exemplar
Um sonho possivel
Estado de guerra
A serious man

Tuesday, April 13, 2010

PPL are strange

People are strange when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked when you're unwanted
Streets are uneven when you're down

When you're strange
Faces come out of the rain
When you're strange
No one remembers your name
When you're strange
When you're strange
When you're strange

People are strange when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked when you're unwanted
Streets are uneven when you're down

When you're strange
Faces come out of the rain
When you're strange
No one remembers your name
When you're strange
When you're strange
When you're strange

When you're strange
Faces come out of the rain
When you're strange
No one remembers your name
When you're strange
When you're strange
When you're strange

Tuesday, March 30, 2010

Fiel ou Infiel

"Ser infiel dá tanto trabalho como ser fiel - porque ambas as condições exigem dedicação, vontade e às vezes algum esforço. Pedem sabedoria, na verdade e na mentira, na escolha daquilo que queremos para a nossa vida, e na metódica dedicação à causa. Há anos que alimento a ideia simples de que a infidelidade não compensa – bom é estar com quem se gosta enquanto se gosta, e não ter medo de mudar de vida quando se deixa de gostar. É mais fácil de dizer do que de fazer – mas quando se faz e se persiste, tem compensações evidentes. Dorme-se mais tranquilamente. É-se mais feliz. E mesmo na infelicidade consegue-se paz, que é um dos bens mais preciosos da vida. Não me tenho dado mal com o princípio."

Pedro Rolo Duarte
Agora vou ser feliz com o que tenho.

Thursday, March 25, 2010

Cada coisa a seu tempo

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.
Á noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.

À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,

E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do Sol) —

Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem

Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.

E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos

Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o o'bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Fernando Pessoa

Thursday, February 25, 2010

Felicidade antepassada

Abri a janela para um vale verdejante, no esplendor da sua juventude, era Primavera! Lá em baixo, bem lá no fundo, o Douro cortejava esses vales onde vinhas bem tratadas cresciam.
No meu palacete, em mármore e pedra mal cortada, típica do local,um amplo adro preenchia toda a casa onde apenas o piano suficientemente o decorava, e, diga-se, majestosamente. Por entre as cortinas adivinhava-se o rasgo de Sol que nos enchia a alma. Dali crescia uma escadaria central que se ramificava em duas direcções.
A avó Francisca fazia com que um cheirinho matinal a café maternalmente nos acolhesse a todos. A avó Marquinhas e a avó São costuravam, na berma da escadaria no alpendre de fora, com vista sobre o vale do Douro, onde viam todos passar, como tanto gostavam. Ali estava a sua felicidade. O avô João e o avô Herculano trabalhavam nas vinhas, como típico, e como era o típico que lhes trazia a felicidade. As crianças jogavam a bola, felizes, depois das aulas, chegadas do seu autocarro escolar.
A felicidade,em pequenas coisas, onde todos a encontravam.
A felicidade das imagens onde nunca mais A encontrei.

Sunday, February 07, 2010

Para não esquecer

Brave Heart, Colisão, Casa na Bruma, Fiel Jardineiro, Hotel Rwuanda, Lost in Translation, Lista de Schindler, Munique, O pianista, A Vida é bela, Goodbye Lenin, Dirty Dancing, Música no Coração, Chocolate, Scoop, Vicky Cristina Barcelona, Match Point, Les misérables, Paris, Estranhos de Passagem, Va vis et deviens, Paris je t'aime, Jeux d'enfants, L'auberge espagnole, Bonecas Russas, Volver, Sin Noticias de Dios, Los Abrazos Rotos, Cinema Paradisio, 21Gramas, Blow, Charlie e a Fábrica de Chocolate, Como água para Chocolate, High Fidelity, Tristão e Isolda, Goya's Ghosts, Pride and Prejudice, Ana e o Rei, Gladiador, The other Boleyn Girl, A rapariga do brinco de pérola, Love in the Time of Cholera, The Painted Veil, Memórias de uma Gueixa, O último Samurai, África Minha, The Duchess, Corações na Atlântida, Finding Neverland, Babel, New York I Love you, The namesake, Blindness, The sixth sense, Sleepy Hollow, Mulholland drive, A Porta do Chao, Donnie Darko, The Darjeeling Limited, Eternal sunshine of the spotless mind, Inglorious Basterds, Into the wild, Diários de Che Guevara, Aconteceu na Argentina, Meu nome não é Johnny, Cidade de Deus, Tropa de Elite, Carandiru, Save the Last Dance, Coyote Bar, Lagoa Azul, 10 Things I Hate About You, A Praia, Mamma Mia, Slum Dog Millionaire, Love Actually, What Happen in Vegas, Terminal de Aeroporto, Notting Hill, Run away bride, Como perder um homem em 10dias, A ilha, Ladder49, 15 Minutos, The Others, Conde Monte Cristo, Mente Brilhante, Proof, Catch me if you can, Gran Torino, Entrevista com o Vampiro, Advogado do Diabo, Homicidio Perfeito, Break's Point, Thomas Crown Affair, Virgens Suicidas, Before Sunrise, Pretty Woman, Sweet November, Shinning, Melhor é Impossivel, A Torre do Inferno, Pulp Fiction, Forest Gump, Romeu e Julieta, Titanic, ET, Pequena Endiabrada, Home Alone, Clube dos Poetas Mortos.

Friday, February 05, 2010

Nasci para o Amor

Não vale a pena esse disfarce. Nasci para o Amor.
Quero alguém que me encha de mimos e de beijos e me apareça a porta com um enorme ramo de flores. Que me brinde pelas manhas com mensagens calorosas e que acabe o dia cheio de vontade de me abraçar. Alguém que conte comigo para tudo. Quero alguém que me queira e que queira este mesmo intenso viver. Fins-de-semana, viagens, planos, carícias, um jantar, uma noite, uma saída... Cada momento. Um amigo.

Saturday, October 10, 2009

DIAS SEM NOME


Ontem,
Em silêncio,
Derramei poemas
No mar do teu corpo.
Desertos de palavras.
Florestas de sentimentos.
Com a bênção dos poetas imortais.

Hoje,
Em silêncio,
Esculpo pedras
Bravas.
Fragas que em mim crescem
Em vertigens no ar.
Emergem do verbo Amar
Sem amarras
Às coisas que não querem falar mais.

Não posso querer,
Querer mais,
Que venhas beber tais poemas.
A fantasia a crepitar.
Asas de fogo,
Às quais eu rogo
Que invadam meus desertos
Com florestas tropicais.

Cada gesto
Em ti
Trazia outro jardim.
Talvez perdido.
Mas imenso.
Soprava outro incenso.
Outro poema.


Senti,
Em momentos tais,
Não seres capaz
De seres caminho
Nos meus versos.
Nos versos teus.
Ao teres de te cumprir,
O veleiro dos teus dedos
Embalava outro lugar.
Poema ausente.
Estátua de sal.
Esculpida com medos.
Navegavas perdido mar.
Despida de mim.

Cada gesto,
Em mim,
Trazia um devaneio.
O último.
O último poema.
Imerso de chegada.
Poema onde me semeio,
Sempre emerso de partida.
Mar de vagas
Sem sossego agarram
Castelos para os derrubar.

Nas mãos vazias ficam
Pródigas chagas.
Areia de imagens magras.
Mendigas.
Esfomeada
Do verbo Amar.


No teu olhar
Enchi
O cálice de Luz.
Lua flutuante.
Bebi
Com a esplendorosa calma
A Paz que se procura.
Bebi querendo.
Sem querer beber
Pelo mesmo cálice.
Apenas quis encher o teu.
Diferente e igual ao meu.
Apenas quis pendurar Constelações,
Muitas Estrelas,
Doces canções.
Nebulosas belas
No Céu.

A um Lugar
Feito silêncio,
Daquele donde parti,
Traçado a negro carvão,
Que sem descanso perdura,
Que sem encanto flutua
Cheguei.
Rio Largo da Solidão.
Deixo-me ir.
Como água escorrendo
Por entre dedos.
Por entre vales.


Refaço
Mais negro
O Traço.
À imensidão do espaço
Me entrego,
Me desfaço.
No Céu d’ Aurora
Deixo o meu rastro.



Ana A N Cardoso Simões

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás, é
o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar
pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...


Pablo Neruda

Friday, October 09, 2009

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.


Eugénio de Andrade

Tuesday, October 06, 2009

Ingratidão

Nem sempre olhamos a vida pelo lado certo.

Lastimamo-nos, arrastamo-nos, não vemos o que de bom Ela nos põem bem em frente ao nosso nariz. Ao invés, deixamo-nos acorrentar pelos sortilégios que fazem parte de qualquer estória, sem nos apercebermos que eles fazem parte de todas elas. Só conta a dor que aperta.

Nunca valorizamos a coisa certa na hora certa.

Quantas vezes não fui valorizada e quantas vezes desprestigiei? Quantas vezes chorei por isso sem olhar em meu redor e apreciar tudo o que de bom tenho? Chorei em vão. A vida muitas vezes é ingrata, mas nós também.

Há males que vêm por bem.

Enquanto derramamos lágrimas ingratas, insanos ignoramos que da razão das lágrimas poderá sobrevir uma outra razão maior. Enquanto perdemos o pouco tempo que temos com essas tristezas, desdenhamos de todas as razões maiores que já são nossas.

A vida faz justiça de formas estranhas.

Hoje sou eu quem chora, amanha serás tu. Por cada pessoa que derrubares a vida encarregar-se-á de te derrubar a ti. Com a mesma indelicadeza, ou com outra diferente.

A justiça tarda, mas chega.

Monday, September 28, 2009

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



Sophia de Mello Breyner

Wednesday, September 23, 2009

Conselho

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.
Faze canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.
Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és –
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...


Fernando Pessoa

Tuesday, September 22, 2009

Caminho a teu lado mudo

Caminho a teu lado mudo
Sentes-me, vês-me alheado...
Perguntas: Sim... Não ... Não sei...
Tenho saudades de tudo...
Até, porque está passado,
Do próprio mal que passei.
Sim, hoje é um dia feliz.
Será, não será, por certo
Num princípio não sei que
Há um sentido que me diz
Que isto — o céu longe e nós perto
É só a sombra do que é...

E lembro-me em meia-amargura
Do passado, do distante, E tudo me é solidão...
Que fui nessa morte escura?
Quem sou neste morto instante?
Não perguntes... Tudo é vão.



Fernando Pessoa

Sunday, September 20, 2009

Adeus

Foi hoje.
Chegou o dia em que me enganei sobre a essência de alguém. Devia ter ouvido o meu mau presságio (logo de início!), mas antes ouvi-te a ti a as tuas dissimulações.
Não, pára, não vale mais a pena pedir perdão. Quem pede desculpa é porque reconhece o seu erro, e, assim, não o repete seguida e incessantemente. Basta! Deixa-me desfazer estas ilusões criadas sem sustento, provindas desses teus tentáculos ocultos e obscuros. Deixa-me neste meu mundo criado numa redoma. Essa redoma que me isola de seres como tu. Essa redoma que me protege da vida ingrata.
Porque entraste nela? Porque a partiste?
Pára. Deixa que eu acredite neste meu jardim cuidado e perfumado, sem vermes.
Chega, não quero mais seres encobertos. Deixa o sol raiar! Não te quero mais.
Os meus parabéns por seres o único a conseguires-me sucumbir aos teus disfarces. Mas hoje, hoje não vou martirizar-me mais. Sou o que sou e orgulho-me de me ter construido assim, sem falsidades nem artifícios. Orgulho-me de me poder chamar HUMANA!
Um dia desculpar-te-ei por esse mal que fizeste malograr em mim. Mas hoje, hoje pára de me atormentar. Não quero mais padecer de ti.

Wednesday, September 16, 2009

Frieza

Os teus olhos são frios como espadas,
E claros como os trágicos punhais;
Têm brilhos cortantes de metais
E fulgores de lãminas geladas.

Vejo neles imagens retratadas
De abandonos cruéis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!

Mas não te invejo, Amor, essa indiferença,
Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!

Tu invejas a dor que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
“Ah! Quem me dera, Irmã, amar assim!…”

Florbela Espanca