Friday, September 19, 2008

Carpe Diem

Confias no incerto amanhã?
Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo que te exige o prazer?
Fogem-te, por entre os dedos,os instantes;
e nos lábios dessa que amas te morre um fim de frase,
deixando a dúvida definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens visíveis do humano?
"Não", dizes, "nada me obrigará à renúncia de mim próprio -- nem esse olhar
que me oforece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso.


Nuno Júdice

1 comment:

Anonymous said...

Diria que vivemos sempre reprimindo o que realmente desejamos, temendo o que pensam, o que nos espera, fazendo joguinhos parvos por forma a não ficarmos numa posição desagradavel (de quem arrisca).
Mas sim, loucos ignoramos que a vida é breve como um verso...