«(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado.»
António Lobo Antunes
6 comments:
Se quando escreve entra em transe, alucina, delira, sonha...
O que dízer sobre quem lê, quem compra esta passagem de ida?
Compartilhar dessa viagem sempre é encantador...
Aprecio os dois lados dessa viagem. Mas não há como ser o próprio criador dela.
Criar a minha viagem permite-me ser quem quero! Quebra a solidão ao mesmo tempo que se liberta tudo o que se quer libertar...
Certas vezes é preciso estar longe pra perceber algo, pra entender alguns sentido e sentimentos...
Criador e criatura se confundem, se fundem, se aproximam e se separam...
O processo criativo vai além, além do além e muito perto, muito perto de nós mesmos, de nossa essência, do nosso ser...
Pq não ser quem quer ser em pouso?
Pq não criar a viagem acordada?
E sou,
e crio acordada (talvez até demais!),
mas nas inseguranças prefiro recolher-me ao meu porto.
Quem é o Adriano?
alguém que te escreve... alguém que viu seu blog nas ondas da net...
alguém que gosta do que é bom, belo e interessante.
bom, sou onde não estou... ou pelo menos um pouco.
e sara?
Olá.
Tenho um blog que registro algumas escritas. Teria interesse de ter um texto seu lá?
Adriano
dalmeida.adriano@gmail.com
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