Teorias são brinquedos
Que, por mim, não tomo a sério.
Tomo a sério os meus enredos.
Crer… só sei crer no Mistério.
De doutrinas não me importo!
Sinto-me bem no mar alto.
Só me recolho ao meu porto.
Convidam-me, e sempre eu falto.
De escolas, não sou aluno.
Se comunico, é em verso.
Sou muito diverso.
E uno.
José Régio
Tuesday, January 22, 2008
Friday, January 18, 2008
Meu ébano de mel
Tens o canto plácido do amanhecer,
doce sorriso das estrelas.
Aroma de mel,
sabor a rosmaninho.
Teu rosto cinzelado a pincel,
foi feito para me enternecer;
és luz, és espuma, és cor,
és o meu anjo, o meu arminho.
doce sorriso das estrelas.
Aroma de mel,
sabor a rosmaninho.
Teu rosto cinzelado a pincel,
foi feito para me enternecer;
és luz, és espuma, és cor,
és o meu anjo, o meu arminho.
Thursday, January 17, 2008
Balão esvaziado
Cansei os braços
a pendurar estrelas no céu.
Destino dos fados lassos.
Tudo termina em cansaços
braços
e estrelas
e eu.
A vida flui (parece) como um novelo que se desenrola,
como um leque silencioso que se abre,
enquanto, no ovo, um rumor se encaracola,
se encaracola e desencaracola,
até quando, num repente,
se dispara incandescente,
como na dança do sabre.
Ó delírio de sentir,
doença de interrogar,
febre do nunca atingir!
Temperatura de partir
na esteira do insaciar.
Rescendem húmus as ancas,
terras morenas e brancas,
campo do jogo androceu.
Afrouxam os braços lassos.
Tudo termina em cansaços,
terras
e braços
e eu.
Estrelas, pântanos, abismos,
patamares da mesma escada,
dedos da mesma aliança.
Tudo morre em tédio e em nada.
Tudo maça.
Tudo enfada.
Tudo pesa.
Tudo cansa.
António Gedeão.
a pendurar estrelas no céu.
Destino dos fados lassos.
Tudo termina em cansaços
braços
e estrelas
e eu.
A vida flui (parece) como um novelo que se desenrola,
como um leque silencioso que se abre,
enquanto, no ovo, um rumor se encaracola,
se encaracola e desencaracola,
até quando, num repente,
se dispara incandescente,
como na dança do sabre.
Ó delírio de sentir,
doença de interrogar,
febre do nunca atingir!
Temperatura de partir
na esteira do insaciar.
Rescendem húmus as ancas,
terras morenas e brancas,
campo do jogo androceu.
Afrouxam os braços lassos.
Tudo termina em cansaços,
terras
e braços
e eu.
Estrelas, pântanos, abismos,
patamares da mesma escada,
dedos da mesma aliança.
Tudo morre em tédio e em nada.
Tudo maça.
Tudo enfada.
Tudo pesa.
Tudo cansa.
António Gedeão.
Wednesday, January 16, 2008
Pessoas e mais pessoas: alguém na verdade???
Pergunto-me tantas vezes pela vossa essência que nunca nada está bem ou à minha medida. Inquieta-me tamanha superficialidade, essas leviandades afligem-me e deixam-me a pensar no que existirá de facto entre nós (amizade?). Pergunto-me se de facto dão valor a algo para lá de moda, captarão o que fazem por vocês? Atingem o significado de alguém se retirar para vos dar lugar?
Serei eu quem está mal? Afinal de contas sou eu quem nunca está bem em lado algum, quem sempre desconfia do intuito e da índole de todos, quem fica no canto a observar, apenas observar.
Serei uma desadaptada? E sê-lo-ei por ligar em demasia à profundidade? Porque estou na época errada? Porque desacredito, erradamente, a natureza de todos?Porque...?...
Talvez não haja sempre uma razão explicativa para tudo, mas ainda que abandone a lógica do racional terá que haver uma "medida" para mim, ou estarei para sempre condenada ao que não me preenche?
Luto por ser melhor e nunca vendo a barreira perto continuo nessa luta desenfreada, só que na discrepância entre a luta por melhorar e entre a busca por dias melhores há um estranho espaço que agita as ideias e perturba a alma. Quando neste espaço não há mais lugar para qualquer interrogação, tudo extravasa: rebentam as dúvidas donde surgem mágoas, explodem as tentativas de ser cada vez melhor, donde surgem revoltas.
É neste ponto que gostava de ser como vocês, porque, afinal, tendo tudo a importância que lhe atribuímos, não lhe atribuindo nenhuma, nenhuma terá. E é daí que advém a vossa calma.
Sim, sou eu que estou errada. Dar demasiado não traz nada de bom...Admira como alguém tão racional não consegue seguir sempre a sua boa dose de racionalidade??
Sim, nem sempre há uma explicação para tudo.
Serei eu quem está mal? Afinal de contas sou eu quem nunca está bem em lado algum, quem sempre desconfia do intuito e da índole de todos, quem fica no canto a observar, apenas observar.
Serei uma desadaptada? E sê-lo-ei por ligar em demasia à profundidade? Porque estou na época errada? Porque desacredito, erradamente, a natureza de todos?Porque...?...
Talvez não haja sempre uma razão explicativa para tudo, mas ainda que abandone a lógica do racional terá que haver uma "medida" para mim, ou estarei para sempre condenada ao que não me preenche?
Luto por ser melhor e nunca vendo a barreira perto continuo nessa luta desenfreada, só que na discrepância entre a luta por melhorar e entre a busca por dias melhores há um estranho espaço que agita as ideias e perturba a alma. Quando neste espaço não há mais lugar para qualquer interrogação, tudo extravasa: rebentam as dúvidas donde surgem mágoas, explodem as tentativas de ser cada vez melhor, donde surgem revoltas.
É neste ponto que gostava de ser como vocês, porque, afinal, tendo tudo a importância que lhe atribuímos, não lhe atribuindo nenhuma, nenhuma terá. E é daí que advém a vossa calma.
Sim, sou eu que estou errada. Dar demasiado não traz nada de bom...Admira como alguém tão racional não consegue seguir sempre a sua boa dose de racionalidade??
Sim, nem sempre há uma explicação para tudo.
Monday, January 14, 2008
Catarse
Gosto quando a noite vem e nos devolve ao quente do lar. É tempo de sofá e edredon, é tempo de reconforto e de libertar mágoas que me atazanaram o dia inteiro sem que houvesse alguém que me compreendesse para poder falar sobre elas. Gosto do toque do pijama na pele, de quando o sono chega e nos leva para cama, da flanela e do peso da roupa de inverno. Os pensamentos por dentro desse peso que me aconchega são sempre os mais puros. Não preciso de mais ninguém, só de mim, ali, onde tudo se desvanece, tudo acaba (ainda que por momentos).
Tuesday, July 03, 2007
Quem é homem de bem
Quem é homem de bem,
não trai
O amor que lhe quer
seu bem
Quem diz muito que vai
não vai
Assim como não vai
não vem
Quem de dentro de si
não sai
Vai morrer sem amar
ninguém
O dinheiro de quem
não dá
é o trabalho de quem
não tem
Capoeira que é bom
não cai
E se um dia ele cai
Cai bem!
Vinicius de Moraes
Friday, June 29, 2007
"Respiro o teu corpo"
Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade.
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade.
"heaven holds a place for those who pray"
Passa o tempo, apaga a mágoa,
revolvem-se as nUvens, vêm as saudades.
Mudam-se as vontades, volta a esperança,
cada dia é rico em novas qualidades.
No desvanecer da amargura renasce a doçura,
Nos recortes do céu, o teu sorriso,
Sabe a mel,a ternura, cheira a estrelas e a candura!
Sob o alto desta pedra,aqui sentada,
Vejo o mar e esse Mundo por onde se navega sem rumo,
Aguardo o revirar de páginas, sou obstinada,
Mas não esqueço os momentos que me trouxeram cada um de vós.
Agradeço-os: a todos.
Sonhando acordada, velo esse teu dormir
que tem a intensidade das ondas do mar,
Desnudada de pudores sinto o aroma da tua pele,
celeste e ardente que nem o teu olhar.
Liberto o grito que trago contido,
Encaminho-me, devagar;
Acalmo os sentidos com este sonho vivido
que espelha o céu e o mar, e todos os encantos da vida.
Alcanço, afinal, tudo o que se pode esperar.
revolvem-se as nUvens, vêm as saudades.
Mudam-se as vontades, volta a esperança,
cada dia é rico em novas qualidades.
No desvanecer da amargura renasce a doçura,
Nos recortes do céu, o teu sorriso,
Sabe a mel,a ternura, cheira a estrelas e a candura!
Sob o alto desta pedra,aqui sentada,
Vejo o mar e esse Mundo por onde se navega sem rumo,
Aguardo o revirar de páginas, sou obstinada,
Mas não esqueço os momentos que me trouxeram cada um de vós.
Agradeço-os: a todos.
Sonhando acordada, velo esse teu dormir
que tem a intensidade das ondas do mar,
Desnudada de pudores sinto o aroma da tua pele,
celeste e ardente que nem o teu olhar.
Liberto o grito que trago contido,
Encaminho-me, devagar;
Acalmo os sentidos com este sonho vivido
que espelha o céu e o mar, e todos os encantos da vida.
Alcanço, afinal, tudo o que se pode esperar.
Você é linda
«Fonte de mel
Nos olhos de gueixa
Cabocla e máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa
É toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás
Linda, e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz
Você é linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Você é forte, dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir
No Abaeté areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer
Você é linda, e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz
Você é linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Gosto de ver você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter, sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal
Linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Você é linda, e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz»
CV
Nos olhos de gueixa
Cabocla e máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa
É toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás
Linda, e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz
Você é linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Você é forte, dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir
No Abaeté areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer
Você é linda, e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz
Você é linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Gosto de ver você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter, sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal
Linda, mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor que bateu em mim
Você é linda, e sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer e diz»
CV
Saturday, April 28, 2007
A Vida Perfeita!
Estender a mão, como se todos fossem teus irmãos.
És a pureza que falta aos valentes,
Um exemplo de singeleza para todos os insolentes!
Não procuras nada em ninguém,
Porque para ti cada um é maravilhosamente bom.
Não olhas de soslaio,
Porque é sempre bem-vindo quem vem.
A alegria da vida está em nós!
Na intensidade que esse olhar mimoso dá a cada momento,
Na profundidade a que cada um está disposto a chegar,
Na transparência dessa voz!
Se eu pudesse…ver em todos esta simplicidade,
Veria toda a gente bem mais satisfeita.
Com só um pouco mais de alma…
A vida seria perfeita.
Wednesday, April 25, 2007
A Felicidade Exige Valentia
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
Fernando Pessoa
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
Fernando Pessoa
Sunday, February 04, 2007
Forever young
let's dance in style
let's dance for a while
heaven can wait we're only watching the sky
hoping for the best but expecting the worst
are you gonna drop the bomb or not
let us die young or let us live forever
dont have the power but we never say never
sitting in the sandpit
life is a short trip
music's for the sad man
can you imagine when this race is run
turn our golden faces into the sun
praisin our leaders, getting in tune
the music's played by the mad men
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
some like water and some are like the heat,
some are melodies, some are the beat,
sooner or later they'll all be gone,
why don't they stay out
it's hard to get on without a cause,
i don't want to perish like a fading voice,
youth is like diamonds in the sun,
diamonds are forever
so many adventures couldn't happen today
so many songs we forgot to play
so many dreams swinging out of the blue
left to come true
forever young, i want to be forever young,
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever...
heaven can wait we're only watching the sky
hoping for the best but expecting the worst
are you gonna drop the bomb or not
let us die young or let us live forever
dont have the power but we never say never
sitting in the sandpit
life is a short trip
music's for the sad man
can you imagine when this race is run
turn our golden faces into the sun
praisin our leaders, getting in tune
the music's played by the mad men
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
some like water and some are like the heat,
some are melodies, some are the beat,
sooner or later they'll all be gone,
why don't they stay out
it's hard to get on without a cause,
i don't want to perish like a fading voice,
youth is like diamonds in the sun,
diamonds are forever
so many adventures couldn't happen today
so many songs we forgot to play
so many dreams swinging out of the blue
left to come true
forever young, i want to be forever young,
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever
forever young, i want to be forever young
do you really want to live forever,
forever, forever...
Wednesday, January 03, 2007
Hoje....
Vou andando, por aí, por avenidas, becos, palacetes e ruelas...Tudo me parece estranhamente cinzento e sem brio. Emigrou o Sol e a Beleza, fugiu a alfazema e o rosmaninho que graciosamente davam o doce aroma que coloria as rápidas horas...Na cinza das horas fico eu. Apoquenta-me a velocidade atroz da vida e chateia-me a incoerência entre a efemeridade do tempo e a imutabilidade do rancor, da crueldade e de toda a estupidez humana. Deprime-me esta falta de graça.
Não há ninguém que não tenha momentos mais criticáveis, mas também não há ninguém que evolua com esses momentos. Incrivelmente, ninguém falha na hora de lançar o olhar recriminatório, de apontar o dedo, de julgar pisando, custe isso o que custar.
Hoje sei que não vale a pena querer acreditar, há coisas impossíveis de mudar, como o rio que corre, inevitavelmente, para o mar, ou como o Sol de Agosto que nos deixa e traz a chuva de folhas de Outubro...e os pingos grossos que jorram do céu cinzento de Dezembro...Ninguém molda o carácter humano, ninguém ensina o certo ou o errado. A essência de cada um é o que é.
Vou andando, por aí, por essas estradas incertas que me levam a certeza de que esperar por mudança...é sempre em vão.
Nos dias de céu cinzento sei que, pelo menos, tenho-me a mim.
Não tentes fazer de mim o prego ferrugento que une a perna ao resto do corpo da cadeira, um pedaço de ser sem rumo que necessita da tua misericórdia, um pecado que necessita do teu perdão.
Hoje sei que não vou por aí...
Não há ninguém que não tenha momentos mais criticáveis, mas também não há ninguém que evolua com esses momentos. Incrivelmente, ninguém falha na hora de lançar o olhar recriminatório, de apontar o dedo, de julgar pisando, custe isso o que custar.
Hoje sei que não vale a pena querer acreditar, há coisas impossíveis de mudar, como o rio que corre, inevitavelmente, para o mar, ou como o Sol de Agosto que nos deixa e traz a chuva de folhas de Outubro...e os pingos grossos que jorram do céu cinzento de Dezembro...Ninguém molda o carácter humano, ninguém ensina o certo ou o errado. A essência de cada um é o que é.
Vou andando, por aí, por essas estradas incertas que me levam a certeza de que esperar por mudança...é sempre em vão.
Nos dias de céu cinzento sei que, pelo menos, tenho-me a mim.
Não tentes fazer de mim o prego ferrugento que une a perna ao resto do corpo da cadeira, um pedaço de ser sem rumo que necessita da tua misericórdia, um pecado que necessita do teu perdão.
Hoje sei que não vou por aí...
Monday, November 13, 2006
Missing you ragazza

Acordo para mais um dia, olheiras, cansaço, desequilíbrio, tudo para trás. Corro, tenho 5minutos. Aulas, intervalos agitados a distribuir minutos de atenção contados, trabalhos intermináveis e dores de cabeça...No fim do ciclo, antes de recomeçar mais um, costumava ter-te para meu consolo. Costumava ter-te nos momentos de fraqueza a erguer-me, na farra a tua presença era infalível e distinta, sempre. Sinto falta do teu sorriso, da tua meiguice, do teu jeito infantil que faz rir o mais sisudo dos humanos, dessa tua pureza que faz de ti a pessoa maravilhosa que és. Sempre achei que cada amigo tem o seu lugar e hoje mais que nunca comprovo-o, sinto a TUA falta, o teu lugar permanece intacto e só teu. Será teu, eternamente. Guardo com carinho as memórias das coisas só nossas, choro quando vejo vezes sem fim o teu filme. Volta rápido.
Tuesday, October 24, 2006
Eternamente
"Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos;acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
MST in "Não te deixarei morrer David Crockett"
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
MST in "Não te deixarei morrer David Crockett"
Friday, October 13, 2006
Do outro lado do espelho
São caminhos, encruzilhadas, bons fados, maus destinos. São vidas. É colar de cacos, quebrar de expectativas. É esperança que a redoma me proteja da hipocrisia, desespero quando se parte e me deixa para lá do suportável. Perco-me e encontro-me nesta constante mentira sem nunca oscilar aos olhos de quem passa e me vê todo o dia em alegria. Soa a fácil, mera representação: cheira a dor. Dói o ar que se respira, o conter de lágrimas, a apatia....Dói este desconcerto de vida.
Hoje não estás mais aqui, por incrível que pareça custa bem mais do que julgava não acordarmos todos os dias sobre o mesmo tecto, não poder entreabrir a porta do teu quarto só para te sorrir, não poder discutir ctg, não poder partilhar daqueles momentos do dia-a-dia que só quem tem o que outrora tivemos partilha. Nunca ponderei bem a discrepância entre o perceptível e o que está para lá da barreira do visível, nem nunca me pareceu a tua ausência tão sofrível. É um corroer impiedoso este do desfazer de laços. Aprendi a suportar este dessangre e a disfarçá-lo, mas não sei como pará-lo. Fazes-me falta.
Dói não ter um esconderijo forte, uma casca dura, aquela protecção, a coesão. Entranham-se estes viveres viciados, consomem-me estas ausências e farsas, e a cada dia se torna mais árduo viver. Seguro a cabeça, disperso-me em tentativas de reconstruir o meu eixo, esboço um sorriso...sinto-me vazia...
Hoje não estás mais aqui, por incrível que pareça custa bem mais do que julgava não acordarmos todos os dias sobre o mesmo tecto, não poder entreabrir a porta do teu quarto só para te sorrir, não poder discutir ctg, não poder partilhar daqueles momentos do dia-a-dia que só quem tem o que outrora tivemos partilha. Nunca ponderei bem a discrepância entre o perceptível e o que está para lá da barreira do visível, nem nunca me pareceu a tua ausência tão sofrível. É um corroer impiedoso este do desfazer de laços. Aprendi a suportar este dessangre e a disfarçá-lo, mas não sei como pará-lo. Fazes-me falta.
Dói não ter um esconderijo forte, uma casca dura, aquela protecção, a coesão. Entranham-se estes viveres viciados, consomem-me estas ausências e farsas, e a cada dia se torna mais árduo viver. Seguro a cabeça, disperso-me em tentativas de reconstruir o meu eixo, esboço um sorriso...sinto-me vazia...
Tuesday, October 10, 2006
O que resta
Silêncio que mata e que dói, este de te guardar em mim, de te encafuar nas memórias que outrora foram doces com aroma a jasmim.
Silêncio que mói, este de te manter na penumbra, esconder-te do dia e amordaçar-te num segredo. Mas da eterna dúvida de te definir como um cacto ou como um templo grego, resta-me a sombra.
Silêncio que corrói, que me deixa zonza.
Silêncio de ti.
Vem, diz-me que te honrarás.
Revela-te e eu revelar-me-ei,
ou para sempre no silêncio ficarás.
Silêncio que mói, este de te manter na penumbra, esconder-te do dia e amordaçar-te num segredo. Mas da eterna dúvida de te definir como um cacto ou como um templo grego, resta-me a sombra.
Silêncio que corrói, que me deixa zonza.
Silêncio de ti.
Vem, diz-me que te honrarás.
Revela-te e eu revelar-me-ei,
ou para sempre no silêncio ficarás.
Monday, October 09, 2006
Do lado do Silêncio
Gosto de espreitar o teu sono de criança, à noite, quando dormes alheia a tudo, e eu fico a ouvir a tua respiração e a alisar os teus cabelos.Às vezes, chego a pensar que é um desperdício ir dormir, em lugar de ficar ver-te dormir, porque o tempo voa e em breve já não serás criança. Nestas noites, como diz a lei, tenho-te à minha «guarda», o que é um prazer insubstituível e a que alguns chamam direitos e outros deveres.
Gosto de acordar de manhã, quando, ainda antes do despertador tocar, oiço o som do canal Panda na sala, e fico a saber que tu já acordaste e que sengues à risca o ritual estabelecido, e que a seguir irás fazer o teu pequeno-almoço e vestires-te para a escola. Mas, apesar disso, gosto de te recomendar que faças tudo isso e não te esqueças de lavar os dentes, sabendo que não te esqueces mas também gostas de ouvir-me dizer-to, porque essa é uma forma de saberes que te «guardo».
Saímos de casa deixando para trás o desalinho do teu quarto, a desarrumação vivida das tuas coisas, esses sinais indesmentíveis da tua presença, sem os quais a casa não faz sentido e o silêncio pesa como dor escondida. És sempre tu quem carrega no botão do elevador, quem acende as luzes da garagem, numa atenção emergente para a rotina das coisas, que é a forma como vais entrando na manhã. E segues um silêncio atento no banco de trás do carro, que interrompes às vezes com alguma pergunta que te ocorre de repente. Vais chegada para a frente, uma mão pousada nas costas do meu banco, como se quisesses prolongar os últimos instantes de proximidade física. (...)
Porque há sempre uma porta que se fecha e que nos separa, ao contrário da casa, onde a porta do teu quarto e a do meu estão sempre abertas.
(A ti...)
Miguel Sousa Tavares
Gosto de acordar de manhã, quando, ainda antes do despertador tocar, oiço o som do canal Panda na sala, e fico a saber que tu já acordaste e que sengues à risca o ritual estabelecido, e que a seguir irás fazer o teu pequeno-almoço e vestires-te para a escola. Mas, apesar disso, gosto de te recomendar que faças tudo isso e não te esqueças de lavar os dentes, sabendo que não te esqueces mas também gostas de ouvir-me dizer-to, porque essa é uma forma de saberes que te «guardo».
Saímos de casa deixando para trás o desalinho do teu quarto, a desarrumação vivida das tuas coisas, esses sinais indesmentíveis da tua presença, sem os quais a casa não faz sentido e o silêncio pesa como dor escondida. És sempre tu quem carrega no botão do elevador, quem acende as luzes da garagem, numa atenção emergente para a rotina das coisas, que é a forma como vais entrando na manhã. E segues um silêncio atento no banco de trás do carro, que interrompes às vezes com alguma pergunta que te ocorre de repente. Vais chegada para a frente, uma mão pousada nas costas do meu banco, como se quisesses prolongar os últimos instantes de proximidade física. (...)
Porque há sempre uma porta que se fecha e que nos separa, ao contrário da casa, onde a porta do teu quarto e a do meu estão sempre abertas.
(A ti...)
Miguel Sousa Tavares
Sunday, October 08, 2006
Um pouco de ti.
......Não sei o que sinto quando te vejo.......
.......se afeição se desejo....
...Sei que prescruto o mais ínfimo gesto....
........no encalço de uma desculpa.....
....talvez por compaixão ou por bondade....
......Sei que insisto em apagar-te a culpa, e, acredita....
.... não em jeito de perdão....
...Mas de todas as vezes, sem excepção, resta-me a perplexidade...
....Perturba-me o teu contrapasso....
....contundes, trituras e seduzes num único passo....
....És calor, quimera, desilusão...
.....és desagradável como o vento que te desgrenha os cabelos...
.......... apaixonante como uma noite quente de Verão...............
.......num só acto és fantasia e decepção........
....Incomodas-me com o teu jeito frio.....
.......Conquistas-me com esse teu desalinho.....
....És um misto de malícia e fraqueza...
....provocas apreço por essa pobreza...
.........Queria consolar-te, dar-te um ombro amigo.......
............ensinar-te a nobreza de um gesto.........
.................é inquietante como nem para isso te remetes à tua insignificância.............
......é nula em ti a profundidade do que quer que seja........
.....és indigesto, tal é essa petulância.......
......Não sei o que sinto quando me beijas.......
........quando te ris, quando me deixas.......
.....quando me trespassas com um olhar......
........quando sem dó me levas ao transtorno do não pensar....
.....Sei o que sou e o que espero, sei o que és e não te quero....
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Sunday, October 01, 2006
Dança como se ninguém estivesse a ver-te
Não pares. Não pares de tentar, segue a tua luta, prossegue mesmo quando tropeças. Segue. Não pares de te iludir e desiludir, não pares de crer. Dá o tudo por tudo, mas não fiques a meio, parar é desistir, desistir de ti própria. Dá tudo, dá-te, entrega-te sem medos, tu sabes que tens força para te erguer. Continua a andar, a correr, a tropeçar e a cair, aprende a levantar-te. Não desistas de sentir o toque de uma brisa, de uma gargalhada solta ou de um abraço,não desistas de acreditar na felicidade nua. Não desistas de ouvir música, a tua música, de rir, de dançar. E dança. Dança e vive numa dança enlouquecedora, só tua. Não pares de errar e remendar, não pares de questionar, não deixes de sorrir, de pedir ajuda e ajudar, não pares de te construir. Continua a acreditar que a vida é feita destas interrupções, mas que a cada momento terás a chave para a reconstrução. Continua sempre. Não te substimes, vai mais longe. Mais longe do que julgavas ser capaz.
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