Monday, August 17, 2009

(...)

Enquanto nao ultrapassarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

Fernando Pessoa

Monday, May 25, 2009

Carácter

"Cumpre-me agora dizer que espécie de homem sou. Não importa o meu nome, nem quaisquer outros pormenores externos que me digam respeito. É acerca do meu carácter que se impõe dizer algo. Toda a constituição do meu espírito é de hesitação e dúvida. Para mim, nada é nem pode ser positivo; todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, incerto para mim proprio. Tudo para mim é incoerência e mutação. Tudo é mistério e tudo é prenhe de significado. O resultado é horror, mistério, um medo por de mais inteligente.
Pelas minhas tendencias naturais, pelas circunstancias que rodearam o alvor da minha vida, pela influencia dos estudos feitos sob o seu impulso ( estas mesmas tendencias) - por tudo isto o meu carácter é do genero interior, autocêntrico, mudo, não auto-suficiente, mas perdido em si próprio. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu carácter consiste no ódio, no horror e na incapacidade que impregna tudo aquilo que sou, física e mentalmente, para actos decisivos, para pensamentos definidos. Jamais tive uma decisão nascida de autodominio, jamais traí externamente uma vontade consciente. Os meus ecsritos, todos eles ficaram por acabar; sempre se interpunham novos pensamentos, extraordinarios, inexpulsaveis associações de ideias cujo termo era o infinito.
Não posso evitar o ódio que os meus pensamentos têm a acabar seja o que for, uma coisa simples suscita dez mil pensamentos, e destes dez mil pensamentos brotam dez mil interassociações, e não tenho força de vontade para os eliminar ou deter, nem para os reunir num só pensamento central em que se percam os pormenores sem importância, mas a eles associados. Perpassam dentro de mim; não são pensamentos meus, mas sim pensamentos que passam através de mim. Não pondero, sonho; não estou inspirado, deliro. Sei pintar mas nunca pintei, sei compôr música, mas nunca compus. Estranhas concepções em três artes, belos voos de imaginação acariciam-me o cérebro; mas deixo-os ali dormitar até que morrem, pois falta-me poder para lhes dar corpo, para os converter em coisas do mundo externo.
(...)
Embora tenha sido leitor voraz e ardente, não me lembro de qualquer livro qua haja lido, em tal grau eram as minhas leituras estados do meu próprio espírito, sonhos meus - mais, provocações de sonhos. A minha própria recordação de acontecimentos, de coisas externas, é vaga, mais do que incoerente. Estremeço ao pensar quão pouco resta no meu espírito do que foi a minha vida passada. Eu, um homem convicto de que hoje é um sonho, sou menos do que uma coisa de hoje."


Fernando Pessoa

Blue Monday

Thursday, May 21, 2009

Nesse balanço

Muitas vezes digo-te que não só para te provocar. Finjo-me de desinteressada, de desligada. Aperceber-te-ás que esta falta de paixão por ti é teatro? Eu consigo perceber que sou um desassossego para o teu ânimo, mas sei também que não moverás o que quer que seja, tal e qual como eu não me revelo. Talvez seja isto que dá graça ao balanço da paixão e talvez seja isto que nos torna invulgares aos olhos um do outro. Gostava de conseguir ler-te nessas entrelinhas armadilhadas e temerosas. Decifrar-te como um enigma duvidoso. Não sei que personagem te veste melhor, se o descarado insolente, se o bonitinho inseguro. Julgo-te um misto, talvez me iluda, se te analisar à minha imagem é só falta de coragem. É esta falta de firmeza de atitude que me faz perder-te para quem é arrojado! Mantenho a fé que um dia vou provar-te.

Sunday, April 05, 2009

Monday, February 23, 2009

Tuesday, February 17, 2009

don't hold it all inside

If you'r mad get mad, if you'r sad get sad. Just do not hold it all inside.

Tuesday, February 03, 2009

...

Arrependo-me de não ter aproveitado cada segundo contigo. Lembro-me de me dizerem que a vida passa num ápice, mas, como todo o ser humanamente fraco e imprudente, só hoje entendo essas frases aborrecidas.
Hoje lembro-me do teu jeito meigo, quando eu era criança, da tua paciência e do teu desvelo. Sinto falta de gente sensível e boa como tu, recordo-me como era fácil deixar-te com os olhos humedecidos! Recordas-te dos Natais à lareira e das férias de Verão intermináveis que de tão interminaveis eram enfadonhas? Também me lembro de me explicares que à medida que crescemos o tempo passa cada vez mais rápido...hoje, eu sei-o.
Hoje gostava de ter tempo para estar contigo o tempo que te resta,mas o tempo passa tão rápido! Nada mais é interminavel! E sei que um dia vou arrepender-me de não ter passado contigo os teus últimos dias, tal como me arrependo agora de não ter aproveitado os longos Verões passados. Mas não consigo parar este tic-tac atroz.
Temo que a vida se passe assim, sempre com um tempo inevitavelmente perdido, e eu não consiga dar-me a todos os que amo.
Temo não ter tempo para te ver crescer, não ter tempo para estar ao teu lado e não conseguir ser o que é esperado por cada um de vós que contam comigo. Tenho tanto medo de vos ver partir! Que coisa estranha esta "da vida", criar coisas para um dia perdê-las...Repreendam-me sempre e incessantemente, lembrem-me que um dia me vou arrepender dos momentos em que não estive e dos dias de mau feitio, façam-no todos os dias.

Monday, February 02, 2009

Impulsos contidos

Hoje aniquilava-te.
A ti estrafegava-te com mimos e a ti ligava-te a confessar o meu desejo.
A vocês, invejosas, dir-vos-ia o que merecem, sem me comedir, por educação, nas palavras e não guardava nenhum pensamento por piedade. Seria tão vil quanto vós.
A ti riscava-te da minha vida, e a ti, pior ainda, limpava-te por completo da memória.
Tu és a minha vida, por isso, a ti, embalar-te-ia como um anjo, durante horas. E durante horas não faria mais nada se não contemplar o teu rosto imaculado.
A ti presenteava-te com milhões de resmas de notas para gastares como quiseres; compraríamos vestidos, botas, botins, cremes, vernizes, sairíamos para onde quisesses, beberíamos o quanto quisesses e repetíamo-lo as vezes que quisesses.
A ti ligar-te-ia a dizer o quanto te quero bem.
A vocês ignorava-vos, não merecem mais trabalho, mas não me coibia em deixar claro que não prestam.
Contigo ia amanhã numa louca viagem insana aos confins desse mundo e, sem pudores, faria tudo o que há muito me apetece fazer.

Friday, November 21, 2008

Despedida

“Se por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapos e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.

Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos perdemos sessenta segundos de luz.

Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam e como desfrutaria um bom gelado de chocolate !

Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.

Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que eu ofereceria à Lua!
Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...

Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... não deixaria passar um só instante sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.

Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar!
A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha. Aos velhos ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.

Tantas foram as coisas que aprendi com vocês, os homens ! Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está em subir a encosta...
Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se...

São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me irão servir realmente de muito, porque, quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer.

Supondo que hoje seria a última vez que te vou ver dormir, abraçar-te-ia fortementee rezaria ao Senhor para que fosse o guardião da tua Alma.
Supondo que estes são os últimos minutos que te vejo, dir-te-ia "Amo-te" e não assumiria, loucamente, que já o sabes.

O amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos. Hoje pode ser a ultima vez que ves aqueles que amas. Por isso, não esperes mais, fá-lo hoje, porque o amanha pode nunca chegar. Senão, lamentarás o dia em que não tiveste tempo para um sorriso, um abraço, um beijo e o teres estado demasiado ocupado para atenderes a esse ultimo desejo.

Mantém os que amas perto de ti, diz-lhes ao ouvido o quanto precisas deles, aproveita para lhes dizer "perdoa-me", "por favor", "obrigado" e todas as palavras de amor.

Não serás recordado pelos teus pensamentos secretos. Pede ao Senhor a força e a sabedoria para os saberes expressar."

Gabriel Garcia Marquez







Monday, November 17, 2008

Entre os teus lábios

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

Eugenio de Andrade

Friday, November 14, 2008

Incondicionalmente

Podia sair à rua de pijama, de cuecas ou com a roupa do avesso, tu estarias lá para mim.
Podiam dizer-te que sou a pior pessoa à face da terra, não acreditarias, assim como não acreditas quando tento fazer-te crer que "lhe" liguei, porque conheces a minha essência! Não que ela me console, mas consola-me que me aceites como sou.
Podia ter uma coroa e vestes púrpura e carmesim ou então ser uma pobre moribunda de pés negros e roupas em frangalhos, tu estarias lá para mim.
Podia adoecer, enlouquecer, tornar-me hippie, nudista, emigrar para os Polos ou refugiar-me no Tibete, tu estarias comigo.
No extase e na fossa tu estás a meu lado (e a teu lado da fossa ao extase é um pequeno passo!).
Obrigada por cuidares de mim com esse enorme desvelo, por compreenderes o meu jeito inseguro, por afastares todo o baixo astral (no lugar de palavras desagradaveis...). Obrigada por não me abandonares quando me torno na pior das pessoas, por não levares a peito os disparates que digo tantas vezes!
Obrigada por tentares fazer-me ver o que valho.
Obrigada por não desistires de mim.

Wednesday, October 29, 2008

Bittersweet Symphony

'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Trying to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the veins meet yeah
No change, I can't changeI can't change, I can't change
But I'm here in my mind
I am here in my mind
But I'm a million different peoplefrom one day to the next
I can't change my mind
No, no, no, no, no, no, no,no,no,no,no,no(fading away)
Well I never pray
But tonight I'm on my knees yeah
I need to hear some sounds that recognize the pain in me, yeah
I let the melody shine, let it cleanse my mind,
I feel free now
But the airways are clean and there's nobody singing to me now
No change, I can't changeI can't change, I can't change
But I'm here in my mind
I am here in my mind
And I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mind
No, no, no, no, no, no, no
I can't change
I can't change it
'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Trying to make ends meet
Trying to find some money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the veins meet yeah
You know I can't change, I can't changeI can't change, I can't change
But I'm here in my mind
I am here in my mind
And I'm a million different peoplefrom one day to the next
I can't change my mind
No, no, no, no, no
I can't change my mind
no, no, no, no, no,
I can't change
Can't change my body,
no, no, no
I'll take you down the only road I've ever been down
I'll take you down the only road I've ever been down
Been down
Ever been down
Ever been down
Ever been down
Ever been down
That you've ever been down
That you've ever been down
The Verve

Wednesday, September 24, 2008

Livro do Desassossego

«Passei entre eles estrangeiro porém nenhum viu que eu o era. Vivi entre eles espião, e ninguém, nem eu, suspeitou que eu o fosse. Todos me tinham por parente: nenhum sabia que me haviam trocado à nascença. Assim fui igual aos outros sem semelhança, irmão de todos sem ser da família.
Vinha de prodigiosas terras, de paisagens melhores que a vida, mas das terras nunca falei, senão comigo, e das paisagens, vistas se sonhava, nunca lhes dei notícia. Meus passos eram como os deles nos soalhos e nas lajes, mas o meu coração estava longe, ainda que batesse perto, senhor falso de um corpo desterrado e estranho.
Ninguém me conheceu sob a máscara da igualha, nem soube nunca que era máscara, porque ninguém sabia que neste mundo há mascarados. Ninguém supôs que ao pé de mim estivesse sempre outro, que afinal era eu. Julgaram-me sempre idêntico a mim.
Abrigaram-me as suas casas, as suas mãos apertaram a minha, viram-me passar na rua como se eu lá estivesse; mas quem sou não esteve nunca naquelas salas, quem vivo não tem mãos que outros apertem, quem me conheço não tem ruas por onde passe, a não ser que sejam todas as ruas, nem que nelas o veja, a não ser que ele mesmo seja todos os outros.
Vivemos todos longínquos e anónimos; disfarçados, sofremos desconhecidos. A uns, porém, esta distância entre um ser e ele mesmo nunca se revela; para outros é de vez em quando iluminada, de horror ou de mágoa, por um relâmpago sem limites; mas para outros ainda é essa a dolorosa constância e quotidianidade da vida.
Saber bem quem somos não é connosco, que o que pensamos ou sentimos é sempre uma tradução, que o que queremos o não quisemos, nem porventura alguém o quis - saber tudo isto a cada minuto, sentir tudo isto em cada sentimento, não será isto ser estrangeiro na própria alma, exilado nas próprias sensações?(...)»


Bernardo Soares

Monday, September 22, 2008

Escrita

«(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado.»

António Lobo Antunes

Friday, September 19, 2008

Carpe Diem

Confias no incerto amanhã?
Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo que te exige o prazer?
Fogem-te, por entre os dedos,os instantes;
e nos lábios dessa que amas te morre um fim de frase,
deixando a dúvida definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens visíveis do humano?
"Não", dizes, "nada me obrigará à renúncia de mim próprio -- nem esse olhar
que me oforece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso.


Nuno Júdice

Wednesday, September 17, 2008

TUDO O QUE FAÇO OU MEDITO

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica
E eu sou um mar de sargaço –
Um mar onde bóiam lentos

Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.

Fernando Pessoa

Thursday, June 05, 2008

Velha Infância

Não entendo porque me derrubas,
me esmigalhas, me trituras...
não era eu tua querida?
Porque quando crescemos tudo muda?
Diz-me que não sentes esse ódio,
que te degrada e que me mata.
Não sejas sonsa!
Todos sentem o perfume do teu ciúme,
que me deixa zonza...
Não quero nunca deixar entranhar esse aroma!
Zelo pela minha inocência e espero, com paciência,
ver de novo a transparência
que foi beleza nos teus olhos.
Infância perdida, não me abandones assim!
Prometo-te pra sempre o meu desvelo,
mas por favor, volta pra mim...

Monday, May 19, 2008

O certo ou errado

"...é através da consciência de cada um que Deus mostra o caminho certo."

Sunday, May 18, 2008

Amigo

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!

Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta,
que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'neill