Monday, February 23, 2009
Tuesday, February 17, 2009
don't hold it all inside
Tuesday, February 03, 2009
...
Hoje lembro-me do teu jeito meigo, quando eu era criança, da tua paciência e do teu desvelo. Sinto falta de gente sensível e boa como tu, recordo-me como era fácil deixar-te com os olhos humedecidos! Recordas-te dos Natais à lareira e das férias de Verão intermináveis que de tão interminaveis eram enfadonhas? Também me lembro de me explicares que à medida que crescemos o tempo passa cada vez mais rápido...hoje, eu sei-o.
Hoje gostava de ter tempo para estar contigo o tempo que te resta,mas o tempo passa tão rápido! Nada mais é interminavel! E sei que um dia vou arrepender-me de não ter passado contigo os teus últimos dias, tal como me arrependo agora de não ter aproveitado os longos Verões passados. Mas não consigo parar este tic-tac atroz.
Temo que a vida se passe assim, sempre com um tempo inevitavelmente perdido, e eu não consiga dar-me a todos os que amo.
Temo não ter tempo para te ver crescer, não ter tempo para estar ao teu lado e não conseguir ser o que é esperado por cada um de vós que contam comigo. Tenho tanto medo de vos ver partir! Que coisa estranha esta "da vida", criar coisas para um dia perdê-las...Repreendam-me sempre e incessantemente, lembrem-me que um dia me vou arrepender dos momentos em que não estive e dos dias de mau feitio, façam-no todos os dias.
Monday, February 02, 2009
Impulsos contidos
A ti estrafegava-te com mimos e a ti ligava-te a confessar o meu desejo.
A vocês, invejosas, dir-vos-ia o que merecem, sem me comedir, por educação, nas palavras e não guardava nenhum pensamento por piedade. Seria tão vil quanto vós.
A ti riscava-te da minha vida, e a ti, pior ainda, limpava-te por completo da memória.
Tu és a minha vida, por isso, a ti, embalar-te-ia como um anjo, durante horas. E durante horas não faria mais nada se não contemplar o teu rosto imaculado.
A ti presenteava-te com milhões de resmas de notas para gastares como quiseres; compraríamos vestidos, botas, botins, cremes, vernizes, sairíamos para onde quisesses, beberíamos o quanto quisesses e repetíamo-lo as vezes que quisesses.
A ti ligar-te-ia a dizer o quanto te quero bem.
A vocês ignorava-vos, não merecem mais trabalho, mas não me coibia em deixar claro que não prestam.
Contigo ia amanhã numa louca viagem insana aos confins desse mundo e, sem pudores, faria tudo o que há muito me apetece fazer.
Friday, November 21, 2008
Despedida
Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam e como desfrutaria um bom gelado de chocolate !
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.
Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que eu ofereceria à Lua!
Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... não deixaria passar um só instante sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar!
A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha. Aos velhos ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas foram as coisas que aprendi com vocês, os homens ! Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está em subir a encosta...
Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se...
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me irão servir realmente de muito, porque, quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer.
Supondo que hoje seria a última vez que te vou ver dormir, abraçar-te-ia fortementee rezaria ao Senhor para que fosse o guardião da tua Alma.
Supondo que estes são os últimos minutos que te vejo, dir-te-ia "Amo-te" e não assumiria, loucamente, que já o sabes.
O amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos. Hoje pode ser a ultima vez que ves aqueles que amas. Por isso, não esperes mais, fá-lo hoje, porque o amanha pode nunca chegar. Senão, lamentarás o dia em que não tiveste tempo para um sorriso, um abraço, um beijo e o teres estado demasiado ocupado para atenderes a esse ultimo desejo.
Mantém os que amas perto de ti, diz-lhes ao ouvido o quanto precisas deles, aproveita para lhes dizer "perdoa-me", "por favor", "obrigado" e todas as palavras de amor.
Não serás recordado pelos teus pensamentos secretos. Pede ao Senhor a força e a sabedoria para os saberes expressar."
Gabriel Garcia Marquez
Monday, November 17, 2008
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugenio de Andrade
Friday, November 14, 2008
Incondicionalmente
Podiam dizer-te que sou a pior pessoa à face da terra, não acreditarias, assim como não acreditas quando tento fazer-te crer que "lhe" liguei, porque conheces a minha essência! Não que ela me console, mas consola-me que me aceites como sou.
Podia ter uma coroa e vestes púrpura e carmesim ou então ser uma pobre moribunda de pés negros e roupas em frangalhos, tu estarias lá para mim.
Podia adoecer, enlouquecer, tornar-me hippie, nudista, emigrar para os Polos ou refugiar-me no Tibete, tu estarias comigo.
No extase e na fossa tu estás a meu lado (e a teu lado da fossa ao extase é um pequeno passo!).
Obrigada por cuidares de mim com esse enorme desvelo, por compreenderes o meu jeito inseguro, por afastares todo o baixo astral (no lugar de palavras desagradaveis...). Obrigada por não me abandonares quando me torno na pior das pessoas, por não levares a peito os disparates que digo tantas vezes!
Obrigada por tentares fazer-me ver o que valho.
Obrigada por não desistires de mim.
Wednesday, October 29, 2008
Bittersweet Symphony
Wednesday, September 24, 2008
Livro do Desassossego
Vinha de prodigiosas terras, de paisagens melhores que a vida, mas das terras nunca falei, senão comigo, e das paisagens, vistas se sonhava, nunca lhes dei notícia. Meus passos eram como os deles nos soalhos e nas lajes, mas o meu coração estava longe, ainda que batesse perto, senhor falso de um corpo desterrado e estranho.
Ninguém me conheceu sob a máscara da igualha, nem soube nunca que era máscara, porque ninguém sabia que neste mundo há mascarados. Ninguém supôs que ao pé de mim estivesse sempre outro, que afinal era eu. Julgaram-me sempre idêntico a mim.
Abrigaram-me as suas casas, as suas mãos apertaram a minha, viram-me passar na rua como se eu lá estivesse; mas quem sou não esteve nunca naquelas salas, quem vivo não tem mãos que outros apertem, quem me conheço não tem ruas por onde passe, a não ser que sejam todas as ruas, nem que nelas o veja, a não ser que ele mesmo seja todos os outros.
Vivemos todos longínquos e anónimos; disfarçados, sofremos desconhecidos. A uns, porém, esta distância entre um ser e ele mesmo nunca se revela; para outros é de vez em quando iluminada, de horror ou de mágoa, por um relâmpago sem limites; mas para outros ainda é essa a dolorosa constância e quotidianidade da vida.
Saber bem quem somos não é connosco, que o que pensamos ou sentimos é sempre uma tradução, que o que queremos o não quisemos, nem porventura alguém o quis - saber tudo isto a cada minuto, sentir tudo isto em cada sentimento, não será isto ser estrangeiro na própria alma, exilado nas próprias sensações?(...)»
Bernardo Soares
Monday, September 22, 2008
Escrita
António Lobo Antunes
Friday, September 19, 2008
Carpe Diem
Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo que te exige o prazer?
Fogem-te, por entre os dedos,os instantes;
e nos lábios dessa que amas te morre um fim de frase,
deixando a dúvida definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens visíveis do humano?
"Não", dizes, "nada me obrigará à renúncia de mim próprio -- nem esse olhar
que me oforece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso.
Nuno Júdice
Wednesday, September 17, 2008
TUDO O QUE FAÇO OU MEDITO
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica
E eu sou um mar de sargaço –
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
Fernando Pessoa
Thursday, June 05, 2008
Velha Infância
me esmigalhas, me trituras...
não era eu tua querida?
Porque quando crescemos tudo muda?
Diz-me que não sentes esse ódio,
que te degrada e que me mata.
Não sejas sonsa!
Todos sentem o perfume do teu ciúme,
que me deixa zonza...
Não quero nunca deixar entranhar esse aroma!
Zelo pela minha inocência e espero, com paciência,
ver de novo a transparência
que foi beleza nos teus olhos.
Infância perdida, não me abandones assim!
Prometo-te pra sempre o meu desvelo,
mas por favor, volta pra mim...
Monday, May 19, 2008
Sunday, May 18, 2008
Amigo
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta,
que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'neill
Saturday, May 17, 2008
PROCURA-SE UM AMIGO ...
Não precisa ser homem, basta ser humano,
basta ter sentimento, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro,
de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém,
ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor
que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão,
nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado,
pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro,
mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e,
no caso de assim não ser,
deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas,
seu principal objectivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes e
compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar
as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos,
que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos,
de grande chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer,
para contar o que se viu de belo e triste durante o dia,
dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e
de caminhos molhados, de beira de estrada,
de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado
em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando,
mas que nos chame de amigo,
para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius
Tuesday, January 22, 2008
Declaração
Que, por mim, não tomo a sério.
Tomo a sério os meus enredos.
Crer… só sei crer no Mistério.
De doutrinas não me importo!
Sinto-me bem no mar alto.
Só me recolho ao meu porto.
Convidam-me, e sempre eu falto.
De escolas, não sou aluno.
Se comunico, é em verso.
Sou muito diverso.
E uno.
José Régio
Friday, January 18, 2008
Meu ébano de mel
doce sorriso das estrelas.
Aroma de mel,
sabor a rosmaninho.
Teu rosto cinzelado a pincel,
foi feito para me enternecer;
és luz, és espuma, és cor,
és o meu anjo, o meu arminho.
Thursday, January 17, 2008
Balão esvaziado
a pendurar estrelas no céu.
Destino dos fados lassos.
Tudo termina em cansaços
braços
e estrelas
e eu.
A vida flui (parece) como um novelo que se desenrola,
como um leque silencioso que se abre,
enquanto, no ovo, um rumor se encaracola,
se encaracola e desencaracola,
até quando, num repente,
se dispara incandescente,
como na dança do sabre.
Ó delírio de sentir,
doença de interrogar,
febre do nunca atingir!
Temperatura de partir
na esteira do insaciar.
Rescendem húmus as ancas,
terras morenas e brancas,
campo do jogo androceu.
Afrouxam os braços lassos.
Tudo termina em cansaços,
terras
e braços
e eu.
Estrelas, pântanos, abismos,
patamares da mesma escada,
dedos da mesma aliança.
Tudo morre em tédio e em nada.
Tudo maça.
Tudo enfada.
Tudo pesa.
Tudo cansa.
António Gedeão.
Wednesday, January 16, 2008
Pessoas e mais pessoas: alguém na verdade???
Serei eu quem está mal? Afinal de contas sou eu quem nunca está bem em lado algum, quem sempre desconfia do intuito e da índole de todos, quem fica no canto a observar, apenas observar.
Serei uma desadaptada? E sê-lo-ei por ligar em demasia à profundidade? Porque estou na época errada? Porque desacredito, erradamente, a natureza de todos?Porque...?...
Talvez não haja sempre uma razão explicativa para tudo, mas ainda que abandone a lógica do racional terá que haver uma "medida" para mim, ou estarei para sempre condenada ao que não me preenche?
Luto por ser melhor e nunca vendo a barreira perto continuo nessa luta desenfreada, só que na discrepância entre a luta por melhorar e entre a busca por dias melhores há um estranho espaço que agita as ideias e perturba a alma. Quando neste espaço não há mais lugar para qualquer interrogação, tudo extravasa: rebentam as dúvidas donde surgem mágoas, explodem as tentativas de ser cada vez melhor, donde surgem revoltas.
É neste ponto que gostava de ser como vocês, porque, afinal, tendo tudo a importância que lhe atribuímos, não lhe atribuindo nenhuma, nenhuma terá. E é daí que advém a vossa calma.
Sim, sou eu que estou errada. Dar demasiado não traz nada de bom...Admira como alguém tão racional não consegue seguir sempre a sua boa dose de racionalidade??
Sim, nem sempre há uma explicação para tudo.